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terça-feira, 3 de junho de 2014

A Constância da Escrita


Escrever é um exercício constante. Desde o início do blog, em 2003, as idéias vem e vão em ondas. Quando as colocamos para fora, parece que tomam vida e passam a vir com mais força. 

Um dos exemplos para mim mesmo é o blog. Abandonado por meses a fio, basta voltar a escrever para as idéias fluírem como se nunca tivéssemos parado de ter essa interação, eu e ele.

A diferença é que o público que freqüentava o acervo de pescarias mentais acaba por abandonar, depois de algum tempo sem notícias suas. Retiram seu blog das listas porque sabem que as atualizações vão demorar de ocorrer - se voltarem a ocorrer, um dia. 

Mas a aura do blog me encanta. Com o advento do microblog do passarinho, as idéias antes desenvolvidas com ardor e poder se reduzem a míseros 140 caracteres que, usando da minha própria metalinguagem, acabei de extrapolar. Em outras palavras, a própria explicação da existência do Twitter ultrapassa sua auto-imposta fronteira. 

A rede social do Mark também é outro exemplo das atualizações superficiais que passamos a lidar diariamente. Não importa mais o aprofundar de pensamentos, o escancarar da alma, o choro das pitangas. Tudo passa a ser belo, prazeroso, lindo e ilustrado. Sim, as ilustrações das fotos nas melhores poses, com os melhores sorrisos, nos melhores momentos, com as melhores companhias e lugares inesquecíveis. 

Mas falho em ver onde está a profundidade dos discursos nessas chamadas redes sociais. Por mais diferentes que sejam as idéias dos outros, o fato delas serem debulhadas em mais de um mísero parágrafo, aqui na blogosfera, faz brilhar os meus olhos. Fico feliz em ver que existem seres que se preocupam em espalhar seus mirabolantes pensamentos, exacerbar suas opiniões, exercitar sua capacidade critica, seja ela de um um filme, de um livro, de um evento ou apenas idéias e fatos de um já tão batido cotidiano. 

E assim, eu tento retomar o meu prazer da escrita. Aos poucos, aproveitando os momentos de ócio para transforma-lo em criação. Voltando meu olhar para meu eu interior e me reapropriar de algo que sempre foi meu: minha capacidade critica, em forma de textos, crônicas, histórias e recados. 

Para você, que tem estado aqui, meu muito obrigado. Não ligue para a bagunça. As idéias são minhas, a casa é minha, mas eu adoro receber visitas. Fique à vontade. 


No iPod: Sirens, do album novo de Cher. 
No iPad: albums episódios da 3ª temporada de "As Panteras" me esperam. 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Mensagens e Chamadas Telefônicas


O mundo se digitalizou, isso é fato. Segundo especialistas, essa digitalização aproximou as pessoas e, por isso, estamos mais e mais em contato com pessoas com as quais falávamos, no máximo, uma vez por semana, por telefone, na época em que chamadas interurbanas eram os olhos da cara.

Com a chegada dos smartphones, chegou também a portabilidade dos bate-papos virtuais. As pessoas não se ligam. As pessoas mandam mensagens. As pessoas não se falam, mandam SMS. As pessoas não marcam mais nada, ficam de se encontrar em algum lugar e, quando lá estão, mandam mensagens dando as coordenadas de como encontrá-las.

Eu, como todo bom adpeto de tecnologias, aderi aos smartphones. Tenho não apenas um, mas dois desses telefones que se transformam em seus melhores amigos, companheiros para toda as horas de alegria, tristeza, melancolia, euforia e outros tantos sentimentos que ainda, como humano, possuo.

Mas recentemente resolvi adotar outra política para minha vida. Pessoas reais tem preferência às virtuais. Se estou na mesa de um barzinho com um grupo de amigos e alguém me manda uma mensagem, eu vou responder. Mas eu respondo "agora não posso conversar, estou com amigos. Nos falamos mais tarde". No início, eu (que estava sempre disponível) até ouvi alguns comentários maldosos a esse respeito. Mas agora, tempos depois, os amigos já tem consciência de que não adianta chorar, espernear ou xingar: O Menino que Voa vai responder sua mensagem quando não estiver em momentos sociais.

Outra situação que percebi é que as pessoas não se ligam mais. Fazem tudo através dessas fatídicas mensagens. Marcam cinema, teatro, almoços, jantares e toda sorte de eventos sociais através de bate-papos que são, em sua maioria falhos. Cansei de presenciar crises geradas pela simples e costumeira "não entrega" das mensagens em tempo hábil. Dia desses, um amigo ia me buscar no aeroporto e se surpreendeu quando liguei pra ele já em casa. Depois de me perguntar onde eu estava, perguntou se não tinha recebido sua mensagem dizendo que me buscaria no aeroporto. Sabe quando eu recebi essa mensagem? Na mesa do restaurante, após tê-lo encontrado e já estar comendo. Ou seja, o serviço - ainda - é falho e não deve ser utilizado em casos de emergência.

Outra luta minha é: quer resposta rápida? LIGUE!

Pelo mesmo problema: SMS são falhos. Não são entregues. Não possuem emoção. Não possui carisma. São palavras jogadas ao vento que se perdem, se não são lidas. Se não são comentadas. Se você quer a presença de seu amigo na mesma mesa de restaurante que você, na mesma hora e dia que você está lá, ligue e chame-o. Criar eventos no Facebook até funciona para eventos distantes, mas uma chamada é mais prazerosa, mas pessoal, menos fria e faz com que a pessoa se sinta importante. Naquele momento, essa pessoa é a rainha de sua atenção, individida, individual, exclusiva e inteira.

Ligue! Comunique-se!