Diário de Bordo
Devaneios e viagens d’O Menino que Voa.
sexta-feira, 26 de dezembro de 2025
A Encanto das Palavras Mágicas
quarta-feira, 24 de dezembro de 2025
A Obrigação da Bondade (Sobre as Festas de Fim de Ano)
O Natal é frequentemente apresentado como um evento divino, espontâneo, quase inevitável — como se tivesse simplesmente caído do céu junto com neve, pinheiros e anjos afinados. Na prática, ele é um produto histórico extremamente bem editado, pensado para organizar emoções coletivas e padronizar comportamentos. Uma data que diz quando você deve ser generoso, quando deve perdoar desafetos e, principalmente, quando deve suspender o pensamento crítico em nome do “clima”. Nada mais eficiente para controlar massas do que um ritual emocional obrigatório disfarçado de amor universal.
Do ponto de vista econômico, o Natal é um milagre — não bíblico, mas capitalista. Ele transforma afeto em mercadoria e culpa em estratégia de venda. Se você ama, compra; se não compra, explica. Crianças aprendem cedo que carinho vem embrulhado, adultos aprendem tarde demais que o espírito natalino vence qualquer planilha financeira. Tudo isso embalado por um discurso moral que faz do consumo uma virtude e da recusa um pecado social. Afinal, questionar o excesso em dezembro é quase o mesmo que estragar a ceia.
A Igreja Católica, mestre histórica da sobreposição simbólica, apenas fez o que sempre soube fazer bem: pegou festas pagãs profundamente enraizadas e trocou o rótulo. O Yule, celebração do solstício de inverno no hemisfério norte, marcava o renascimento do sol, o retorno gradual da luz após o período mais escuro do ano. Era um rito cósmico, ligado à natureza, aos ciclos e à sobrevivência. Em vez de combater isso, a Igreja achou mais prático reaproveitar: onde havia sol, colocou-se o Salvador; onde havia renascimento da luz, instalou-se o nascimento de Cristo. Mudou o discurso, manteve o rito e garantiu adesão.
Curiosamente, essa apropriação vem acompanhada de um conveniente apagamento seletivo. Enquanto o Yule foi absorvido e ressignificado, Litha — o solstício de verão, que celebra o ápice da luz, a abundância e o excesso de vida — nunca interessou tanto. Afinal, Litha fala de potência, autonomia e celebração do agora, não de culpa, espera ou redenção futura. Não combina muito com uma teologia que prefere sujeitos contidos, obedientes e sempre em dívida simbólica. Melhor celebrar o nascimento na escuridão do inverno do que o poder pleno da luz no verão.
Para fechar o pacote, entra o discurso da “renovação” colado ao fim do calendário gregoriano. Vende-se a ilusão de que o simples virar de uma data tem poder de limpeza moral e existencial. Promete-se recomeço, mas nunca ruptura; mudança, mas nunca transformação real. O Natal, assim, vira a joia da coroa da engenharia simbólica: mistura paganismo reciclado, religião institucional, consumo desenfreado e uma falsa sensação de renascimento. Questionar isso tudo não destrói o encanto — só revela que, por trás das luzes piscando e do coral ensaiado, sempre houve alguém muito empenhado em decidir por você o que sentir, quando sentir e, principalmente, quanto gastar.
domingo, 16 de agosto de 2015
Snapchat: Nu & Cru
Eu acabei entrando na onda. E adorei, preciso afirmar e reconhecer.
Esse novo brinquedo virtual é uma espécie de Big Brother, no qual você escolhe qual câmera e qual pessoa (personalidade ou não) você quer "espiar". Obviamente, os vídeos e fotos postados não são aleatórios, já que o usuário é quem os publica. E tendo uma duração máxima de apenas 10 segundos, acaba-se tendo uma necessidade de concatenação de pensamentos que é vista apenas na limitação de caracteres do Twitter.
E acontece de tudo: desde um "bom dia" descabelado, imagens direto do banho, comentários alusivos ao prato de qualquer refeição e gravações daqueles pensamentos que temos enquanto nos deslocamos ao nosso trabalho, a incursões aos bastidores das principais produções de TV, teatro e cinema do país e do mundo.
Muitas transmissões são chatas, mas a maioria te convence pela falta de produção. É apenas uma pessoa, com um celular na mão, com número limitado de filtros e o máximo de 10 segundos por publicação para expor ideias, vontades, raivas, pensamentos, pedidos e brincadeiras. Tem gente até que assiste novelas com o celular em punho, comentando cada uma das cenas - cuidado com essas pessoas, se você não está atualizado com os capítulos.
Estou falando, apenas, do modo "My Story", porque ainda é possível trocar fotos e vídeos privados com seus amiguinhos e amiguinhas. Uma oportunidade para mandar aquela foto especial que vc não tem coragem de mandar pelo zapzap porque sempre vai ter alguém pra ver essa foto no seu álbum do celular ou re-publicar (com hífen ou sem, não sei!) em algum grupo ou no "Face". O Snapchat não salva nada em seu celular, a não ser que você decida por isso e, ainda assim, se você fotografar a tela do celular, a pessoa que mandou a foto vai saber que você o fez.
Enfim, me rendi. Agora sou um Snapper também. Favor não confundir com Sniper, porque a última vez que empunhei uma arma de fogo foi há 21 anos, no exército, e espero que esses tempos fiquem lá atrás, guardados no fundo do baú, esvaindo-se e sendo pouco a pouco esquecido. Risos. Fiquei dramático.
Voltando ao assunto, me rendi. Tenho visto muita gente que conheço que está do outro lado do mundo, do continente ou da cidade, com relatos e histórias que prendem mais que qualquer programa desses que a apresentadora fica lendo as revistas de fofoca da semana pra você - e ainda se entitula jornalista. #ProntoFalei
Acabei também retomando contato com pessoas queridas que, por motivos geográficos, acabamos perdendo contato. Hoje, vejo um pouco do dia a dia delas.
Obviamente, por não ser "escondido", tudo tende a ser um pouco plastificado como todas as outras mídias, mas o interessante de todo o escopo envolvido é que todos acabam expondo suas olheiras, cabelos não escovados, vozes roucas ou preguiçosas e até momentos de intimidade com seus amigos em casa ou em encontros particulares. Sem maquiagem. Sem direção de luz, de som, de imagem. Tudo nu e cru.
E você? Usa o Snapchat? Quer trocar uma ideia comigo?
Me segue: rick0211
quinta-feira, 16 de julho de 2015
12º Aniversário
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
Sobre Hedwig, The Musical
Desde o momento que entra no palco até o momento de sua saída, Michael C. Hall surpreende.
Num primeiro momento pela maquiagem que mal o deixar ser reconhecido. Em outro, pelos trejeitos, caras e bocas que empresta ao seu personagem.
Sua voz também imprime uma riqueza ao personagem que, com sotaque alemão, conta sua trágica história de forma lúdica e, ao mesmo tempo, hilária.
Com interações pontuais com a plateia - alguns podem até achar agressivas - ele comanda um espetáculo de luz, cor e música, muita música.
Hedwig and The Angry Inch saiu do filme depressivo e angustiante para os palcos e tomou a forma de uma performance escandalosa e escancaradamente broadwayana.
Um luxo. Um must see.
(Sobre Hedwig, The Musical em 17/dez/2014 no Teatro Belasco, NY)